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Capa do artigo: Quanto ganha um tosador em 2026 e o que faz o salário subir
Profissional Pet

Quanto ganha um tosador em 2026 e o que faz o salário subir

Quase toda conversa sobre salário no setor pet começa errada, com alguém dizendo que tosador ganha muito ou que tosador ganha mal. Os dois estão falando de gente diferente. Existe número público sobre isso, e ele ajuda a decidir a próxima escolha da sua carreira com menos achismo.

O que os dados mostram

Segundo o Portal Salário, que processa os dados oficiais do CAGED, no período de julho de 2025 a junho de 2026 o tosador (CBO 6232-10) teve salário médio de R$ 1.845,25 por mês, com teto por volta de R$ 2.325,58 e jornada média de 44 horas semanais. A amostra é pequena, 511 profissionais registrados, porque muita gente que tosa está registrada em outra função.

No mesmo período, o banhista de animais domésticos (CBO 5193-15) teve média de R$ 1.818,09, teto perto de R$ 2.233,92 e jornada média de 43 horas. A amostra aqui é grande, 16.470 profissionais, e o dado mais interessante é a variação: alta de cerca de 6,2% em relação ao ano anterior.

Dois avisos antes de você usar esses números em qualquer conversa. Primeiro: eles consideram apenas o salário base registrado em carteira, sem comissão, gratificação ou hora extra. Segundo: o piso salarial varia por convenção coletiva e por região, então o número da sua cidade pode ser diferente do número do Brasil.

Para comparação, o salário mínimo de 2026 é de R$ 1.621, fixado pelo Decreto 12.797. A média do tosador está cerca de 14% acima disso. É pouco, e é exatamente esse o ponto do texto.

Por que a média engana

A média mistura o profissional que entrou ontem com quem tem doze anos de tesoura. Ela mistura o petshop de bairro que faz oito banhos por dia com a operação de shopping que faz cinquenta. E, principalmente, ela ignora a parte variável, que é onde o tosador experiente realmente ganha dinheiro.

Em boa parte das casas, o tosador recebe salário base mais comissão por procedimento. Quem faz tosa na tesoura em raça de pelo difícil, com agenda cheia e cliente que volta, chega a um total mensal que a estatística do salário base não enxerga. É por isso que a diferença entre dois tosadores da mesma cidade pode ser maior que a diferença entre as médias de dois estados.

Um detalhe que vale conhecer antes de aceitar uma proposta: comissão paga com habitualidade integra a remuneração para férias, 13º e FGTS. Ela não é um agrado do patrão, é salário. Vale confirmar como o cálculo é feito, se incide sobre o valor cheio do serviço ou sobre uma parcela, e se está no papel. Combinado de boca é o que mais gera briga na saída.

As cinco coisas que fazem esse número subir

1. Sair do banho e ir para a tosa. O banho é a porta de entrada, e a maior parte do salto de renda acontece na travessia para a tesoura. É um caminho com método e com risco, e nós detalhamos ele em como sair de banhista para tosador sem se queimar.

2. Dominar raça difícil. Quem sabe fazer tosa de padrão em poodle, schnauzer, shih tzu e pelo duplo é disputado. O cliente que quer um corte específico procura profissional, não procura preço. Especialização estreita a concorrência e amplia a agenda.

3. Saber manejar cão difícil. Um profissional que consegue banhar o cão idoso, o cão reativo e o filhote assustado sem estresse vale mais para a casa do que dois que só atendem cão fácil. Isso se aprende, e começa por ler o animal antes de encostar nele, assunto de a linguagem corporal que evita mordida.

4. Cuidar do próprio corpo. Parece conselho de saúde, e é conselho de renda. Tosador com tendinite reduz agenda, perde dia e às vezes perde a profissão. Postura, bancada na altura certa, pausa e alongamento são investimento em anos de carreira, como explicamos em dor no ombro e no punho.

5. Ficar em dia com a regulamentação. O debate sobre exigência de formação e certificação para quem tosa está em curso no Congresso e pode mudar as regras do jogo. Quem já tiver curso e comprovação sai na frente, e nós acompanhamos o tema em o que o PL 1455/24 exige de você.

Carteira assinada ou autônomo: a conta que quase ninguém faz direito

Chega uma hora em que aparece o convite para sair da carteira e cobrar por procedimento. A comparação honesta não é entre o salário e o faturamento, é entre o salário mais os direitos e o faturamento menos os custos.

Do lado da carteira entram, além do salário: FGTS de 8% ao mês, 13º, férias com um terço, descanso semanal remunerado, e a rede de proteção do INSS em caso de afastamento. Do lado do autônomo entram a tesoura e a máquina que você compra e repõe, a lâmina que precisa de afiação, o transporte, o tempo gasto para conseguir cliente, o mês de dezembro cheio e o mês de fevereiro vazio, e a contribuição previdenciária que agora sai do seu bolso.

Não existe resposta única, existe momento certo. A rota mais segura costuma ser começar com carteira, aprender de verdade, formar cartela de clientes e só depois avaliar o voo solo, com reserva no caixa para o mês fraco.

O que não faz o salário subir

Tempo de casa, sozinho, não faz. Existe muito profissional com oito anos na mesma função e no mesmo valor, porque o que aumentou foi a antiguidade, não a capacidade. Reclamar do patrão em grupo de WhatsApp também não faz. E trocar de emprego a cada três meses atrás de cem reais a mais costuma jogar contra: o histórico picado assusta quem contrata e derruba a chance de vaga boa.

Como pedir aumento com número na mão

A conversa de salário no setor pet raramente é feita com dado, e é aí que o profissional perde. Antes de sentar com o gestor, junte três coisas:

Leve isso escrito. Um profissional que chega com números faz o gestor discutir números, e não impressão. Peça a conversa com hora marcada, fora do balcão e fora do horário de pico, porque proposta feita no corredor recebe resposta de corredor. E se a resposta for não, saia da conversa com a pergunta certa: o que precisa acontecer para ser sim, e em quanto tempo. Um gestor que não consegue responder isso está te dizendo algo importante sobre o lugar.

O caminho longo vale mais que o atalho

Carreira no pet não é só virar autônomo e cobrar por procedimento. Existe crescimento dentro da operação: liderança de plantão, responsável técnico do banho e tosa, treinamento de novatos, gestão de unidade. É um caminho menos falado e mais estável, e ele está em do banho e tosa à liderança.

O resumo é simples. A média do setor é baixa porque a maior parte da mão de obra ainda é generalista e informal. Quem se especializa, documenta o que faz e cuida do corpo sai dessa média. E quem sai da média escolhe onde trabalha.

Comece pelo básico que quase ninguém tem

O currículo. A maioria dos profissionais do setor pet não tem um, ou tem um documento antigo que não mostra nada do que aprendeu. No PATA, a plataforma gratuita da Trabalhe pra Cachorro, você monta seu currículo digital de graça, recebe uma pílula de aprendizado por dia e fica visível para as empresas do setor pet que estão contratando.

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