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Profissional Pet

Certificação de tosador: o que o PL 1455/24 exige de você

Tosador nunca foi profissão regulamentada no Brasil. Qualquer pessoa pode pegar uma máquina e abrir a porta. Quem trabalha na área sabe o que isso produz: gente boa e gente que nunca deveria ter encostado num cão dividindo o mesmo nome.

Isso pode mudar. A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara aprovou o PL 1455/24, que regulamenta as atividades de banhista, tosador e esteticista de animais domésticos.

Não é lei ainda. Mas é hora de entender, porque quem se antecipa a uma regulamentação sai na frente dela.

O que o projeto diz

O texto é de autoria do deputado Fábio Teruel (MDB-SP) e trata de duas coisas ao mesmo tempo: quem pode exercer a profissão e como o estabelecimento precisa funcionar.

Certificação obrigatória

A parte que te atinge diretamente: o exercício das atividades passa a ser atribuído a profissionais certificados em curso específico. O curso precisa ter aval do Conselho Federal de Medicina Veterinária e incluir aulas práticas presenciais.

Leia de novo a última parte. Aulas práticas presenciais. Aquele curso online de R$ 39,90 com certificado em PDF não cumpre o requisito. Nunca formou ninguém mesmo, mas agora isso deixa de ser opinião e vira critério.

Quem já trabalha não fica de fora

Este é o ponto que gera pânico desnecessário, então vale a clareza.

Segundo a Câmara dos Deputados, profissionais sem certificado que já atuem no mercado quando a lei entrar em vigor têm o exercício regularizado, desde que comprovem tempo mínimo de seis meses de experiência e iniciem o processo de certificação.

Ninguém vai ser expulso da profissão da noite pro dia. Mas repare no verbo: iniciem o processo. Regularizar não é ficar parado. É começar.

As exigências para o petshop

O projeto também mexe no estabelecimento, e isso muda o seu dia. Conforme a PetBr, petshops passam a cumprir exigências de infraestrutura, higiene e segurança, incluindo videomonitoramento online do atendimento, com gravações armazenadas por no mínimo seis meses, e médico veterinário como responsável técnico.

Câmera no salão vai assustar muita gente. Vale pensar direito antes de reagir.

O que a câmera significa pra você

A primeira reação é "vão ficar me vigiando". É compreensível e é incompleta.

Todo profissional de banho e tosa já foi acusado de alguma coisa que não fez. O cão chegou com uma lesão que ninguém viu, saiu e o tutor jurou que aconteceu ali. Você não tinha como provar nada. Sua palavra contra a dele, e a do cliente costuma pesar mais.

Câmera resolve isso a seu favor. A gravação que pode te acusar é a mesma que te defende, e na esmagadora maioria dos casos ela vai te defender, porque na esmagadora maioria dos casos você não fez nada errado.

Quem trabalha bem ganha com registro. Quem tem o que esconder é que perde. Se a sua reação à câmera foi puro incômodo, tudo bem. Se foi medo, vale a pergunta sincera sobre o porquê.

O veterinário responsável técnico muda o seu dia

A exigência de médico veterinário como responsável técnico costuma ser lida como assunto do dono. Ela também é sua.

Responsável técnico significa que existe alguém com formação respondendo tecnicamente pelo que acontece no salão. Na prática, isso tende a criar protocolo: o que fazer quando o cão chega com nódulo, com otite, com ferida, com sinal de dor. Hoje muito tosador decide isso sozinho, no improviso, sem respaldo e sem ninguém pra perguntar.

Ter a quem perguntar é bom pra você. A pergunta "isso aqui eu toso ou paro e chamo alguém?" deixa de ser um risco que você assume sozinho e vira decisão compartilhada, com quem tem formação pra assumir.

O lado desconfortável: vai ficar mais difícil sustentar a prática de "eu sempre fiz assim". Se o seu jeito de conter, de secar ou de tratar pele não se sustenta tecnicamente, alguém vai apontar. Isso incomoda no primeiro mês e salva a sua carreira no terceiro ano.

O que o mercado já vinha fazendo sozinho

Regulamentação normalmente não inventa exigência: ela oficializa o que a parte séria do mercado já pratica.

Rede grande já pede curso. Creche boa já pergunta o que você sabe de manejo antes de te deixar sozinho com um cão. Clínica já exige protocolo. O PL 1455/24 não está criando um padrão novo, está colocando no papel o padrão que as boas operações já usam e que as ruins ignoram.

Se você trabalha numa operação séria, provavelmente já cumpre metade do que o texto pede. A diferença é que você vai poder comprovar.

O que fazer agora, sem esperar a lei

O projeto ainda passa pelas comissões de Meio Ambiente, de Trabalho e pela CCJ, e depois precisa ir ao Senado. Pode demorar. Pode mudar no caminho. Pode não virar lei.

Nada disso muda o que é inteligente fazer.

1. Junte a prova do que você já é

Comprovar seis meses de experiência parece trivial até a hora de comprovar. Carteira assinada resolve. Sem carteira, junte o que der: contrato, recibo, declaração do estabelecimento com CNPJ e assinatura, comprovante de pagamento.

Faça isso este mês, não no dia em que precisarem. Petshop fecha, dono muda, contato some. Prova de trabalho é mais fácil de conseguir enquanto a relação está viva.

2. Escolha curso com prática presencial

Se você vai fazer curso, faça o que já atende o critério que está sendo desenhado. Prática presencial, carga horária de verdade, instituição que existe fisicamente.

O Senac oferece formação em banho e tosa com 120 a 200 horas, um dos cursos livres de maior procura na área, e há vagas gratuitas via PSG dependendo da unidade e do perfil. Vale checar a unidade da sua cidade.

Certificado que chega por e-mail em 20 minutos não vai valer. Nunca valeu, na prática.

3. Registre o que você faz

Comece a manter um registro simples do seu trabalho: quais raças você tosa, quais tipos de tosa você domina, quantos cães por dia, situações difíceis que você conduziu bem.

Isso serve pra certificação, serve pra entrevista, serve pra pedir aumento e serve pra você mesmo enxergar o próprio tamanho. A gente falou disso em como montar um currículo que a creche lê.

4. Pare de tratar isso como ameaça

Regulamentação separa quem construiu ofício de quem está de passagem. Se você é o primeiro grupo, isso é a favor: menos concorrência de gente despreparada, mais reconhecimento, mais poder de negociar.

A Unipet e outras referências do setor situam o piso do tosador entre R$ 1.600 e R$ 2.400, com especialistas chegando a R$ 5.000. Essa distância entre o piso e o topo não é sorte. É diferença de preparo, e regulamentação torna essa diferença visível e paga.

O ponto

Vai virar lei? Não sei. Ninguém sabe.

Mas a direção do setor não depende deste projeto. O mercado pet vem exigindo mais preparo todo ano, e tutor pagando bem quer saber quem está com a máquina na mão do cachorro dele. Certificação é o próximo passo com ou sem o PL 1455/24.

Quem começar a se preparar hoje vai estar certificado quando isso for exigência. Quem esperar a lei sair vai começar a correr no mesmo dia que todo mundo, competindo por vaga de curso e por vaga de emprego ao mesmo tempo.

A lei vai chegar atrasada pra quem esperou.

Quer estar visível pra quem contrata no setor pet? Cadastre seu currículo na rede TPC: é gratuito, e é onde as empresas que contratam com a gente procuram primeiro. Quase 20 mil profissionais já estão na rede.

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