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Empresário Pet

Controle de ponto no petshop: quem é obrigado e o que a lei aceita

O petshop com quatro funcionários costuma achar que registro de ponto não é assunto dele. A lei parece dar razão. O problema é que obrigação legal e risco real não são a mesma coisa: quem não registra a jornada não fica livre da discussão, fica sem prova para ela.

Este texto separa as duas coisas, com o que a norma exige de fato e o que a prática recomenda mesmo quando a norma dispensa.

Quem é obrigado pela letra da lei

O artigo 74 da Consolidação das Leis do Trabalho exige o registro de entrada e saída nos estabelecimentos com mais de 20 trabalhadores. Esse limite era de 10 e subiu para 20 com a Lei 13.874 de 2019, a Lei da Liberdade Econômica, que também derrubou a exigência do quadro de horário afixado na parede e liberou a pré-assinalação do intervalo.

Repare em uma palavra: estabelecimento. A conta é por unidade, não por CNPJ do grupo. Quem tem três lojas com 12 pessoas em cada uma não está obrigado em nenhuma delas, ainda que empregue 36 pessoas no total. E quem tem uma creche grande com 22 pessoas está obrigado mesmo sendo dono de um negócio só.

Vale também entender o que a dispensa significa. Ela tira a obrigação administrativa de manter o controle, não muda nada sobre jornada, hora extra, intervalo ou descanso. Todos esses direitos continuam valendo integralmente numa operação de três pessoas.

O que a lei aceita como registro

A Portaria MTP 671 de 2021, do Ministério do Trabalho e Previdência, organizou o assunto e aceita três caminhos: manual, mecânico e eletrônico. O caderno de ponto assinado à mão continua válido. O eletrônico se divide em três formatos:

Em qualquer formato, os registros devem ser guardados por no mínimo cinco anos. Guardar é parte da obrigação, não detalhe administrativo. Registro que existiu e sumiu vale o mesmo que registro que nunca existiu.

Uma observação prática para quem vai escolher agora: o aplicativo resolve bem a operação com plantão, escala variável e mais de uma unidade, porque centraliza tudo e gera o relatório pronto. O relógio físico funciona melhor onde todo mundo entra e sai pela mesma porta, no mesmo horário. Já o caderno assinado, que muita gente despreza, é perfeitamente legal e resolve a vida de uma casa com três ou quatro pessoas, desde que seja preenchido de verdade, todo dia, pela própria pessoa.

O ponto por exceção existe e é legal

O parágrafo 4º do artigo 74 permite registrar apenas o que foge da jornada combinada: o atraso, a hora extra, a falta. Nos dias normais, nada é marcado. É o chamado ponto por exceção, e ele precisa estar pactuado em acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo. Não vale combinar de boca.

Esse formato ganhou força depois que o Supremo julgou o Tema 1.046, em 2023, firmando a validade das normas coletivas que limitam direitos que não sejam absolutamente indisponíveis. Para uma creche pequena, com jornada estável, o ponto por exceção reduz burocracia de verdade. O risco aparece quando a operação tem muita variação de horário, porque aí quase todo dia vira exceção, o sistema perde sentido e sobra a pior das combinações: pouca marcação e muita divergência.

Banco de horas e compensação: onde a conta costuma azedar

No setor pet, o sábado cheio e o feriado movimentado empurram a operação para o banco de horas. Ele é legal, mas tem forma. O banco de horas com compensação em até seis meses exige acordo individual escrito. Acima disso, até um ano, exige negociação coletiva. E a compensação dentro do mesmo mês pode ser combinada até verbalmente, embora deixar por escrito seja sempre melhor.

Três erros que aparecem com frequência em creche e banho e tosa:

Por que registrar mesmo estando dispensado

Aqui está a parte que a maioria dos donos descobre tarde. A Súmula 338 do Tribunal Superior do Trabalho estabelece que a não apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada alegada pelo trabalhador na petição inicial. Em português de balcão: sem papel, a versão que vale é a do outro lado, até que você prove o contrário.

A súmula fala em estabelecimentos com mais de dez empregados e existe discussão sobre como ela conversa com o limite atual de 20. O efeito prático na audiência, porém, é sempre o mesmo: quem tem documento discute com documento, quem não tem discute com testemunha. E testemunha, no setor pet, costuma ser o colega que também saiu brigado.

Some a isso a fiscalização. A infração de duração do trabalho tem multa administrativa que vai de pouco mais de R$ 41 a cerca de R$ 4.161 por auto, com valor dobrado em caso de reincidência ou de oposição ao fiscal. O custo do auto raramente é o que quebra o caixa. O custo da ação trabalhista sem prova de jornada é.

O erro que anula o próprio controle

Existe uma armadilha conhecida como ponto britânico: a folha em que todo mundo entra às 8h00, sai para o almoço às 12h00, volta às 13h00 e vai embora às 17h00, todos os dias, o ano inteiro. Ninguém trabalha assim, e a Justiça sabe. A mesma Súmula 338 considera inválidos como meio de prova os cartões que registram horários uniformes de entrada e saída, e joga o ônus da prova de volta para a empresa.

Ou seja: preencher o ponto por preencher é pior que não ter ponto, porque custa trabalho e não protege. O registro só vale quando reflete o dia real, com o atraso de terça, a saída antecipada de quinta e a hora extra do sábado cheio.

O mesmo raciocínio vale para o ponto preenchido pelo gestor no fim do mês, de memória, para todo mundo. Além de não provar nada, ele cria um documento que a outra parte usa contra você, porque escancara que o controle não existia.

O que fazer nesta semana

  1. Conte as pessoas por estabelecimento, não por empresa. Se passou de 20 em qualquer unidade, o registro virou obrigação.
  2. Escolha o meio e assuma um só. Caderno assinado funciona em operação pequena. Aplicativo funciona melhor em quem tem plantão e escala variável, desde que atenda à Portaria 671 e entregue comprovante.
  3. Cheque sua convenção coletiva. Muitas CCTs do setor tratam de banco de horas, compensação de sábado e ponto por exceção. A regra coletiva manda sobre o combinado interno.
  4. Feche o mês antes de rodar a folha. Ponto conferido depois do pagamento é conferido tarde.
  5. Olhe o saldo do banco de horas uma vez por mês. Saldo que só cresce é escala mal feita virando passivo.
  6. Guarde tudo por cinco anos, com backup. Papel em gaveta molhada de área de banho não é arquivo.

Registro de jornada conversa direto com escala. Se a sua escala ainda é decidida no grito da semana, vale ler antes como organizar a escala de feriado sem drama e o que muda na operação se a PEC da escala 6x1 avançar. E se a dúvida for quanto essa jornada custa de verdade na folha, a conta está em quanto custa um banhista na sua folha.

Onde a TPC entra

A Trabalhe pra Cachorro implanta e opera o controle de jornada dentro do PATA, o programa de BPO de RH para o setor pet: ponto implantado, escala publicada com antecedência, relatório mensal pronto para o seu contador e alerta quando o banco de horas começa a inflar. Você cuida do cão e do cliente, a gente cuida da papelada que vira processo.

Fale com a gente no WhatsApp e veja como colocar o ponto da sua operação no trilho.

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um advogado ou contador para o seu caso concreto.

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Toda semana, direto do André Faim, na newsletter Empresário Pet.

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